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Igreja e Missão 238

Igreja e Missão 238
Maio - Agosto 2018
Editorial

A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo. É preciso considerarmo-nos como que marcados a fogo por esta missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar. (EG, 273).

1. Tenho recorrido com alguma frequência a estas palavras do Papa Francisco na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium. Nós, humanos, somos, pois, uma missão sublime, mas há nódoas negras que podem agredir o interior do corpo, espalhando-se como manchas de óleo e matando o divino em nós. A Igreja – na sua peregrinação pela história – tem passado por vigorosos vendavais, mas tem permanecido de pé graças a figuras que animam e acalentam, que transmitem pontos de luz e apelam à mudança e à renovação, pois sabemos que estagnar é retroceder.

 

2. A consciência de que somos missão deve levar-nos a valorizar a fragilidade, a nossa natureza de vasos de barro, para que nos possamos sentir «marcados a fogo». A fragilidade implica que passemos por uma kenosis, a qual é «todo um empenhamento para dar lugar à riqueza do poder da graça de Deus, a fim de nos tornarmos imunes contra as ciladas do orgulho» (Bernard Häring). Há homens e mulheres cuja autenticidade desarma aqueles que incitam à divisão e perpetram os mais vis ataques, pois a verdade mora no silêncio e na confiança. O Papa Francisco é uma dessas pessoas.

3. A fortaleza da nossa fragilidade está no interrogarmo-nos a que é que poderemos ainda renunciar para o pormos ao serviço do próximo ou da comunidade, pois é quando nos esquecemos de nós mesmos que somos banhados pela verdadeira felicidade, já que «a alegria é extática» (Timothy Radcliffe) É que se Deus criou o mundo para nós, nós recriamos o mundo para Deus. Carregamos os outros no nosso interior; geramo-nos uns aos outros; somos pão e esperança uns para os outros. Por isso é que a missão não é um ornamento que possa pôr de lado.

4. Richard Kearney, na sua fascinante obra The God Who May Be, declara que devemos buscar Deus na possibilidade de ser (dinamismo que implica a nossa busca do Deus possível). Ele acrescenta que esta é a zona de fronteira onde as narrativas florescem e abundam, um lugar onde as histórias, as canções, as parábolas e as profecias ressoam na imaginação humana e procuram dizer o indizível e pensar o impensável (cf. p. 8). O centro do mistério humano está na nossa função de dizermos o indizível, de exprimirmos o inexprimível e despertarmos para a busca do Deus possível.

5. Sem dúvida que D. António Barroso, de quem se celebra este ano o centenário da morte, foi um dos vultos importantes que estimularam a busca do Deus possível e cuja auréola se espraia pela atualidade. Porque há pilares humanos cujo vigor não se esvai com a corrosão do tempo. Um homem que foi missão – «marcado a fogo» – ao longo de toda a sua existência; um modelo que espelha o «iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar» da Evangelii Gaudium e que legitima as homenagens que lhe têm vindo a ser prestadas.

 
 

 
 
 
 
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